Samba do Fim do Mundo
by Antropoceno
From the album: Natureza morta
Duration: 05:25
Lyrics for Samba do Fim do Mundo
Cai, cai, cai, cai jatobá Vai, vai, se desfaz na fumaça Deita junto ao camboatá Tatajuba, camu-camu e andiroba Carbonizadas, um deserto de soja (Mas o tempo não para E atropela o) Cai, cai, cai pará-pará Vai, vai, repousai nessa brasa As cinzas da seringueira Amputadas e precipitadas de volta Na terra arrasada A maldição da soja Que transforma Em monocultura O bioma Que não se renova Se savaniza Perde sua vida No garimpo da terra Sem ti nada impede O céu de cair Sobre as cidades Tuas miragens vão morder sua cauda (Porque o tempo não para E atropela o) Cai, cai, vai samaúma Castanheira, maçaranduba Embaúba vai me levar Pra trazer o ciclo do fogo de volta Tragédia da terra Uma doença nova (O progresso não para E atropela o) Cai, cai, tempo que se desfaz Asfaltado, vento me corta Guapuvaru podre se vai Pavimentar cidades natimortas Por carros e armas Florestas viram bombas Que transforma Em monocultura O bioma Que não se renova Se savaniza Perde sua vida No garimpo da terra Eucaliptos e soja Que transforma Em monocultura O bioma Que não se renova Se savaniza Perde sua vida No garimpo da terra Vermelho é o céu e mar Cinza as florestas Sinto o céu quebrar Caírem as estrelas Ondas de calor Vento de sol cortar Persiste o terror Resiste a faca cega O hino do Hecatombe Samba da extinção O ecossistema morre Vive o Evangelistão Fetiche do apocalipse Há sangue na sua mão Sino do Hecatombe Samba da extinção