Ilmenemismuoto

by Pan Sonic

From the album: Kesto (234.48:4)

Duration: 07:36

Kesto (234.48:4) cover art

Lyrics for Ilmenemismuoto

Eu sou um mero mortal Um mero ser que apenas pensa ser normal Cansado de uma vida laboral Vícios apaziguam-me, sou cliente habitual de um café de bairro onde se juntam uns comparsas Onde o vinho faz-me vencedor através de taças Onde o vinho faz-me vencer a dor Esquecer que sou sonhador Esquecer... dá-me uma cerveja que isto passa Cansei-me de perseguir objectivos Ganhei varizes de esperar sem motivos Eu até adorava ser alguém Mas até sou alguém, só não dou valor a quem Vá lá que nas cartas chegou à minha vez Já só espero por isto e pelo fim do mês E o mais engraçado nestas cartas A minha mão é a minha vida, um duque rodeado de espadas Vou ficando por cá sentado com o café na mão a ver o fumo voar O jornal está aberto, o cigarro está aceso e só vejo o tempo passar Mudança já não quero Esperança já não tenho Sou a apatia de viver a apagar sonhos num cinzeiro Hoje faz precisamente 2 anos que ela me deixou Pendurado neste mundo, a Cinderela não voltou Depois de doze chapadas, tal e qual badaladas Porque ela perguntou se eu não mudava nada E ao tomar como ofensa o que era seu por direito Levantei a mão e apanhei-a mesmo a jeito E quanto mais gritava, mais odiava o barulho Mais do que uma vida, estava em causa o meu orgulho Levou o puto porque fui parvo para ela Nem sequer teve demoras, foi APAV com ela É um entrave que me gela por completo o coração Repleto de emoção debaixo de um tecto com solidão Mistura duma rotina e tudo por culpa minha Só minha, intimamente corrói-me esta dura sina Já, já pensei em planear uma fuga à vida só que vou adiando com prostitutas e bebida Vou ficando por cá Sentado com o café na mão a ver o fumo voar O jornal está aberto, o cigarro está aceso E só vejo o tempo passar Mudança já não quero Esperança já não tenho Sou a apatia de viver a apagar sonhos num cinzeiro O que há mais são casos iguais Tais factos fazem manchetes e relatos de jornais Eu observo tudo isto na minha vizinhança Onde o café marca o compasso e a city dança Ao ritmo da cerveja que se arrasta pela goela Que provoca atitudes de meter a faca na goela E se isso não cala a cadela, ele afasta-se da janela E fica à espera da polícia para trancar numa cela Disfruto da cafeína que ao menos a bem me acalma Enquanto olho à minha volta e vejo um homem sem alma Sabe-se que está vazio pelo brilho do olhar Olhar que vai fluindo devagar perdido a divagar Penso para mim, "será que vou ser assim?" Pregado neste café, passar a viver aqui? nah, tento ser forte, nada me atira na maré da rotina que é vivida numa vida de café Vou ficando por cá Sentado com o café na mão a ver o fumo voar O jornal está aberto, o cigarro está aceso E só vejo o tempo passar Mudança já não quero Esperança já não tenho Sou a apatia de viver a apagar sonhos num cinzeiro ...

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