...
by Racionais MC's
From the album: Sobrevivendo no inferno
Duration: 2:33
Lyrics for ...
São Paulo, 24 de novembro. vinte e um anos depois Pela primeira vez na história do Brasil O número de homicídios superou a casa de 60 mil em um ano 72% desses homicídios são causados por armas de fogo 54% das vítimas totais do país são jovens entre 15 e 29 anos 72% das pessoas assassinadas no Brasil são negras ou pardas Esse número significa, como você já deve ter ouvido anteriormente A cada quatro pessoas mortas pela polícia Três continuam sendo negras Aqui quem fala é Jorge Mário da Silva Mais um sobrevivente Aleluia Sobrevivi até 2019, Senhor Oh, glória, inacreditável Oh, aleluia São Paulo (Rio) Filha da puta (dim-dim-dom) (Dim-dim-dom) São Paulo (porra do bagulho) Dim-dim-dom (filha da puta) Dim-dim-dom Dim-dim-dom 1998 (dim-dim-dom) (bota, bota) Minha intenção é ruim, esvazia o lugar Eu 'to em cima eu 'to afim, um, dois, pra atirar Eu sou bem pior do que você 'tá vendo O preto aqui não tem dó, é 100% veneno A primeira faz bum, a segunda faz tah Tenho uma missão e não vou parar Meu estilo é pesado, faz tremer o chão Minha palavra vale um tiro eu tenho muita munição Na queda ou na ascensão, minha atitude vai além Tenho disposição pro mal e pro bem Talvez eu seja um sádico ou um anjo, um mágico Juiz ou réu, um bandido do céu Malandro ou otário, padre sanguinário Franco-atirador se for necessário Revolucionário, insano ou marginal Antigo e moderno Fronteira do Céu com o Inferno astral Imprevisível, como um ataque cardíaco do verso Violentamente pacífico, verídico Eu vim pra sabotar seu raciocínio Vim pra abalar seu sistema nervoso ou sanguíneo Pra mim ainda é pouco, Brown cachorro louco Via número um, terrorista da periferia Unidunitê, eu tenho pra você Um rap venenoso ou uma rajada de PT E se fez como previsto 2019 (aham), depois de Cristo (ah) A fúria negra ressuscita outra vez Racionais, capitulo quatro, versículo três Filhas da puta (aleluia) Vai radiar Chama na irradiação Força, proteção contra a covardia e a traição (aleluia), é Filha da puta, pah, pah, pah Faz frio em São Paulo, pra mim 'tá sempre bom Eu 'to na rua de bombeta e moletom Dim dim dom, rap é o som que emana no Opala marrom E aí? Chama o Guilherme, chama o Vânio, chama o Dinho E o Di, Marquinho, chama o Éder, vamo' aí Se os outro' mano' vem pela ordem, tudo bem melhor Quem é quem no bilhar no dominó (aqui é do Brown) Eh Gu, colou dois mano', um acenou pra mim De jaco de cetim, de tênis, calça jeans Ei Brown, sai fora, nem vai, nem cola, não Não vale a pena dar ideia nesses tipo' aí (Tupac) Ontem à noite eu vi, na beira do asfalto Tragando a morte, soprando a vida pro alto Ó os cara', só o pó, pele e osso No fundo do poço, uma pá de flagrante no bolso (aí, Brown) Veja bem, ninguém é mais que ninguém Veja bem, veja bem e eles são nossos irmãos também Mas de cocaína e crack, Whisky e conhaque Os mano' morre rapidinho sem lugar de destaque É, mas quem sou eu pra falar de quem cheira ou quem fuma, não dá Nunca te dei porra nenhuma Você fuma o que vem, entope o nariz Bebe tudo que vê, faça o diabo feliz (não) Você vai terminar tipo o outro mano lá Que era um preto tipo A, ninguém entrava numa Mó estilo, de calça Calvin Klein, tênis Puma (ei) Um jeito humilde de ser, no trampo e no rolê Curtia um funk, jogava uma bola Buscava a preta dele no portão da escola Um exemplo pra nós, mó moral, mó Ibope Mas começou cola com os playboy do shopping (ih, já era, já era) Outro, outra vida, outro pique Só mina de elite, balada, vários drinque' Puta de butique, toda aquela porra Sexo sem limite, Sodoma e gomorra Faz uns nove anos Tem uns quinze dias atrás, eu vi o mano, 'cê tem que ver Pedindo cigarro pro tiozinho no ponto Dente tudo zoado, bolso sem nenhum conto O cara cheira, as tia' sente medo Muito loco de sei lá o quê logo cedo Agora não oferece mais perigo, aham Viciado, doente e fodido, inofensivo Um dia um PM negro veio embaçar (embaçar) E disse pra eu me pôr no meu lugar (meu lugar) Um mano nessas condições (não dá) Será assim que eu deveria estar? Irmão, o demônio fode tudo ao seu redor Pelo rádio, jornal, revista e outdoor Te oferece dinheiro, conversa com calma Contamina seu caráter, rouba sua alma É, depois te joga na merda sozinho Transforma um preto tipo A num neguinho Minha palavra alivia sua dor, ilumina minha alma Louvado seja meu Senhor Que não deixa o mano aqui desandar E nem sentar o dedo em nenhum pilantra Mas que nenhum filha da puta ignore a nossa lei Racionais, capítulo 4, versículo 3 Aleluia (três, três, três, três, três, três, três, três) (Três, três, três, três, três, três, três, três) Aleluia Racionais no princípio Racionais no ar, filha da puta, pah pah pah Quatro minutos se passaram e ninguém viu O monstro que nasceu em algum lugar do Brasil Talvez o mano que trampa debaixo do carro, sujo de óleo Que enquadra o carro forte na febre, com o sangue nos olhos O mano que entrega envelope o dia inteiro no sol Ou o que vende chocolate de farol em farol Talvez o cara que defende o pobre no tribunal Ou o que procura vida nova na condicional Alguém no quarto de madeira Lendo à luz de vela Ouvindo o radio velho no fundo de uma cela, ou Da família real e preto como eu sou Um príncipe guerreiro que defende o gol (acontece) Então não mudo, não eu não me iludo Os mano' cu de burro, tem, eu sei de tudo Em troca de dinheiro e uns carro' bom Tem mano que rebola e usa até batom Vários patrício' fala merda pa' todo mundo rir Hahaha, pa' ver branquinho aplaudir Na sua área tem fulano até pior Cada um cada um, você se sente só Tem mano que te aponta uma pistola e fala sério Explode sua cara por um toca-fita velho Click, plau plau plau, e acabou Sem dó e sem dor, foda-se sua cor E limpa o sangue com a camisa e manda se foder Você sabe por quê, pra onde vai, pra quê Vai de bar em bar, de esquina em esquina Pegar cinquenta conto, troca por cocaína Enfim, o filme acabou pra você A bala não é de festim, aqui não tem dublê Para os mano' da Baixada Fluminense à Ceilândia (eu sei) As ruas não são como a Disneylândia De Guaianases ao extremo sul de Santo Amaro (na Zona Sul) Ser um preto tipo A custa caro (paguei caro) É foda, foda é assistir a propaganda e ver Não dá pra ter aquilo pra você Playboy forgado de brinco, o trouxa Roubado dentro do carro na Avenida Rebouça' Correntinha das moça', madame de bolsa, dinheiro Não, não tive pai, não sou herdeiro Se eu fosse aquele cara que se humilha no sinal Por menos de um real, minha chance era pouca Mas se eu fosse aquele moleque de toca Que engatilha e enfia o cano dentro da sua boca De quebrada, sem roupa, você e sua mina Um, dois, nem me viu, já sumi na neblina Mas não, eu permaneço vivo, não sigo a mística 4.9, contrariando a estatística Seu comercial de TV não me engana Eu não preciso de status nem fama Seu carro e sua grana já não me seduz E nem a sua puta de olhos azuis Eu sou apenas um rapaz latino americano Apoiado por mais de cinquenta mil manos Efeito colateral que o seu sistema fez Racionais, Capítulo 4, Versículo 3 Filhas da puta, pah pah pah